[Reportagem: Antonio Francisco Bobrowec]
Fotos: Arquivo Zétola/Antonio Bobrowec
No dia 20 de outubro de 2010 – ou seja, há 6 anos – São José dos Pinhais perdia um seu mais ilustres cidadãos: Ernani Zétola. Fundador do Museu Municipal e um dos principais intelectuais são-joseenses de todos os tempos.
Ele nasceu em São José dos Pinhais, no dia 30 de junho de 1917. Estudou na escola primária no então Grupo Escolar Silveira da Motta (hoje Colégio Estadual). Aos 13 anos, por falta de colégios no Município de São José, foi estudar na Escola Novo Ateneu, em Curitiba.
Aos 19 anos passou em concurso público para o Departamento dos Correios e Telégrafos. Na mesma época, formou-se Técnico em Contabilidade na Escola Técnica de Comércio “De Plácido e Silva”, em Curitiba.
O jovem Ernani Zétola na sua formatura em técnico em Contabilidade. [Foto: Arquivo Família Zétola]
Desde muito jovem defendia a preservação da cultura são-joseense. Tal desejo encarou como uma missão. Teve diversas iniciativas, como a de ser colunista, em 1952, no jornal Correio de São José, o primeiro veículo impresso da Cidade. Com o pseudônimo Filho da Terra, Ernani realizava uma coluna em forma de crônica, relembrando as saudosas realizações e amizades de sua infância.
Carteirinha de Ernani Zétola como funcionário dos Correios. [Imagem: Arquivo Família Zétola]
Um ano depois do Filho da Terra, o jovem Zétola assumiria outro pseudônimo, o de Vaga-lume. Incorporando este personagem, inaugurou o colunismo social de São José dos Pinhais na sua coluna High Society. Como colunista, mudaria de nome várias vezes: Alotez, Konde Nador, Príncipe Niko e Zeca Feio da Saudade. Suas colunas ganhariam outros títulos (“Sociais, culturais e algo mais”, “Semblantes do passado”, “Rostos de ontem” e “Evocação”).
O estandarte da cultura são-joseense
Ernani Zétola não defendia a cultura local apenas por meio da escrita, mas também por ações. Desta forma, foi diretor social do São José Esporte Clube e da Sociedade Esperança, em São José dos Pinhais. Já em Curitiba, foi diretor sócio-cultural da Sociedade Garibaldi e também secretário do Centro-Cultural Ítalo-brasileiro Danti Alighieri. As influências culturais deste último fizeram com que Ernani fundasse, em 19 de outubro de 1963, o Grupo Folclórico Italiano de São José dos Pinhais. Sendo um exímio dançarino, ele próprio montava boa parte das coreografias.
Zétola foi diretor sócio-cultural da Sociedade Garibaldi. [Imagem: Arquivo Família Zétola]
Um década antes, em 1953, no ano do centenário da Emancipação Política de São José dos Pinhais, Zétola fundaria o Centro Cultural Scharffenberg de Quadros, que por 10 anos mobilizou diversas atividades lítero-musicais na Cidade. Foi esse Centro, por exemplo, que realizou a primeira exposição de antiguidades no Município, sediada nos salões do São José Esporte Clube.
Contudo, é em 1977, em duas pequenas salas da rua Mendes Leitão, nº 2571, que Ernani cria um dos maiores símbolos da preservação da cultura são-joseense: o museu. Em 1978, a convite do então prefeito Moacir Piovesan, Zétola torna-se seu diretor. Em 1981, o Museu Municipal é sediado no antigo casarão da família Victorino Ordini, na rua XV de Novembro, nº 1660 (local que anteriormente abrigou a Prefeitura), e onde se encontra até hoje.
Ernina Zétola foi o fundador do Museu Municipal de São José dos Pinhais. [Foto: Antonio Bobrowec]
Sai prefeito, entra prefeito, e Ernani, independente de estar ou não na direção, sempre esteve por perto do Museu Municipal. Este até hoje mantém muitos dos seus trabalhos de preservação e conservação para o patrimônio histórico e cultural.
Na primeira década do nosso século, Ernani Zétola já começava a dar mostrar físicas de estar sendo vencido pelo tempo, até que em 2010 veio a falecer. Mas sua obra em defesa da cultura e preservação histórica de São José dos Pinhais ainda se mantém viva, e, com certeza, será referência para todos os são-joseenses por muitos anos, como é o caso do Museu Municipal.
Ainda hoje, uma das suas frases é para o povo de São José dos Pinhais uma grande lição: UM POVO SEM MEMÓRIA É SEM HISTÓRIA.
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.
* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.




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