[Reportagem:
Antonio Francisco Bobrowec*]
No
mês de Janeiro de 2011, lancei pela primeira vez minha revista Pública. Nela
havia um poema de um dos maiores nomes da poesia são-joseense: Leopoldo
Scherner. Meses antes, havia entrevista Scherner três vezes na sua residência e
o projeto era publicar um artigo sobre a sua vida na revista de março.
Quando
a revista nº 1 saiu da gráfica, a primeira pessoa que eu fui entregá-la foi o
poeta. Contudo, ao chegar na sua residência, fui atendido por uma das suas
filhas. Veio a triste notícia: ele estava muito doente. No dia 27 de janeiro,
uma quinta-feira, ele veio a falecer, aos 91 anos.
Sem
dúvida, Leopoldo Scherner é um dos ícones da Literatura Paranaense. Como estudante,
teve aulas por alguns dos grandes literatos e poetas brasileiros, como Manuel
Bandeira e Alceu Amoroso Lima (conhecido com o pseudônimo Tristão de Ataíde).
Leopoldo
foi o primeiro diretor do Colégio Estadual Costa Viana, em São José dos
Pinhais. Na Academia de Letras José de Alencar, do Centro de Letras do Paraná,
foi integrante da cadeira número 5.
Em
2005, foi homenageado no 6º Carnaval de Bonecos de São José dos Pinhais. A
criação dos bonecos naquele ano teve como inspiração personagens das obras da
literatura infantil publicadas por Scherner, como as do livro A baba do passarinho. Em várias edições,
seu nome intitulou o Prêmio de Literatura da Prefeitura de São José dos
Pinhais, fato que perdura até hoje.
Origem e carreira
Leopoldo
Scherner nasceu em 22 de julho de 1919, em São José dos Pinhais. Filho de Paulo
Scherner e Maria Corona Scherner. Dedicou-se aos estudos ainda no Paraná e,
depois de alguns anos, foi para o Rio de Janeiro cursar a Faculdade Nacional de
Filosofia, Ciência e Letras da Universidade do Brasil (hoje Universidade do Rio
de Janeiro), na qual fez Letras Neolatinas, formando-se em 1949.
Leopoldo Scherner em uma das nossas entrevistas, em
2011. [Foto: Antonio Bobrowec]
Já
graduado, Scherner torna-se professor da Fundação Getúlio Vargas, entre outros
colégios. Casa-se com a professora Leci Caldeira e retorna ao Paraná nos anos
de 1950. Formou-se também bacharel em Direito pela Universidade Federal do
Paraná - UFPR, mas sua paixão continuou sendo lecionar e escrever.
Em
1956 passa a dar aulas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Mesmo aposentado, Scherner continuava a lecionar e a servir de exemplo para
seus alunos. Dedica-se ao ensino superior e é responsável pela inserção de
novas habilitações na PUCPR, como os cursos de Fonoaudiologia, Educação Física
e Artes Cênicas. Em 1991, trouxe a São José dos Pinhais o Campus II da PUC, no
qual se tornou o primeiro reitor.
Como
membro do Conselho Municipal de Cultura, participou da assinatura do termo de
geminação entre São José dos Pinhais e Motemor-O-Velho, de Portugal. Até hoje,
uma das “cidades-irmãs” são-joseense pelo Grupo de Geminações do Município, que
hoje leva o nome do poeta.
Publicações e obras
Em
1965 foi publicado o primeiro livro de Scherner: “O Dia Anterior do Dia da
Criação” (Ed. Bolsa Brasileira do Livro), composto por poemas. Quando se completou
o quarto centenário da morte de Luís Vaz de Camões, em 1980, Leopoldo Scherner
escreveu “Luís de Camões – a Vida e a Obra” (Ed. Lítero-Técnica/PR). Cinco anos
depois, na cidade de Évora (Portugal), escreveu a tese “Literatura, Elemento de
Integração”. Com esta, ganha a primeira colocação no Seminário de Verão Anos
80.
Além
de poemas, Scherner publicou vários volumes infantis desde o início da sua
carreira, como o livro “A baba do passarinho”, nome este que intitula um dos
Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) de São José dos Pinhais.
O Movimento Sala 17 e o incentivo à poesia
Em
1978 nasce o Movimento Sala 17. Dele fariam parte um grupo de alunos do Curso
de Jornalismo da PUCPR, do qual o professor Scherner lecionava. “Observei que
havia muitos alunos que escreviam, que faziam poemas”, declarou Leopoldo em uma
das entrevistas que fiz com ele em 2004.
Para
incentivá-los, Scherner sugeriu que eles reunissem os poemas em um livro. A
idéia foi concretizada com aproximadamente 300 páginas, que prosseguiu com três
volumes. Segundo ele, esse trabalho só poderia dar certo, pois aquela sala
tinha uma ‘aura especial’. E o mais curioso: eram 17 poetas que estudavam na
sala 17 da faculdade, por isso o nome “Movimento Sala 17”.
O
poeta, em 2010, na residência onde morava, feita por ele em estilo
arquitetônico alemão, em memória aos seus antepassados imigrantes. Até hoje
esta casa pode ser vista no Centro de São José dos Pinhais. [Foto: Antonio
Bobrowec]
Nos
anos de 1980, outro grupo de poetas começava a se formar. Eram alunos que
participavam de um evento artístico na sede da Casa do Estudante Luterano
Universitário (CELU), do qual Scherner foi palestrante. Logo após, uni-se aos
alunos-poetas e forma o grupo Encontrovérsia. O resultado do trabalho foram
quatro publicações.
Homenagens e reconhecimento
Scherner
recebeu durante a sua vida várias homenagens, especialmente de Portugal. Dentre
elas a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique, determinada pelo presidente
lusitano Ramalho Eanes. Da Assembleia Legislativa do Paraná, ganhou o título de
Cidadão Benemérito do Paraná, em 1997.
Em São José dos Pinhais,
sua cidade natal e onde nasceu e morreu, vários equipamentos púbicos levam seu
nome, como a Escola Municipal Leopoldo Schener, inaugurada no dia 31 de março
de 2015, no bairro Guatupê. Como já foi dito nesse artigo, um dos CMEIs de São
José dos Pinhais leva o nome de uma das suas obras literárias (A Baba do
Passarinho). Há ainda o teatro do Campus da PUCPR em São José dos Pinhais, que
leva o seu nome, além do Concurso de Literatura e Poesia da Prefeitura, que
também é titulada com o nome do poeta.
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosodia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.
* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosodia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.


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