[Reportagem:
Antonio Francisco Bobrowec]*
Infelizmente, pouco se pesquisou até agora
sobre a presença de escravos negros no Paraná. Muitos escritores, dentre eles o
famoso Romário Martins, chegaram mesmo a defender um “branqueamento” da
história do Estado. Em São José dos Pinhais isso não foi exceção. Uma grande
injustiça a quem teve que vir aqui como escravo, forçado a trabalhos dos mais
diversos e ainda não ter o reconhecimento deste fato.
Ao se pesquisar os livros tombos da Catedral
de São José dos Pinhais, ou mesmo resgatar reportagens de jornais antigos, como
o 19 de Dezembro, pode-se conferir
que não só existiam escravos, mas que eles, assim como em todo o país, eram
tratados como objeto e tudo isso era aceito até mesmo pela Igreja, na época.
De acordo com a pesquisa de mestrado de
Myriam Sbravati, São José dos Pinhais,
1776-1852 – uma paróquia paranaense em estudo (UFPR, 1980), em 1776 a
população escrava negra era de 23,1% (270 indivíduos). Um ano depois de São
José se tornar município, em 1854, a população escrava era de 7,9%, ou seja,
365 pessoas. Mas, poucos anos antes da libertação definitiva dos escravos pela
princesa Isabel, São José possuía, em 1863, 769 escravos, representando 10,18%.
É claro que os escravos daqui faziam
atividades bem diferentes dos senhores de engenho de açúcar do nordeste, Rio de
Janeiro e São Paulo; mas, como escravos, deveriam fazer todo tipo de trabalho
pesado, como desmatar florestas, cortar lenha, realizar serviços domésticos,
fazer roçadas e plantações, etc. Como foi dito, os relatos são quase
inexistentes. A história destes passou a ser contata como um drama épico, e que
de certa forma foi mesmo. Não se pode esquecer que a nossa história, e o que
somos hoje, deve-se muito aos indígenas e negros.
As pesquisas de Myriam
Sbravati e Sebastião Ferrarini (Apud COLNAGHI;
MAGALHÃES; MAGALHÃES FILHO, 1992, p.225)** contabilizam a presença de escravos negros
em São José dos Pinhais desde 1772 até a segunda metade do séc. XIX. Contudo,
possivelmente havia comercialização antes e depois dessas datas.
População Livre e Escrava em São
José dos Pinhais (1772-1863)
|
|||||
Ano
|
Livre
|
Escrava
|
Total
|
||
Abs.
|
%
|
Abs.
|
%
|
Abs.
|
|
1772
|
688
|
82,6
|
145
|
17,4
|
833
|
1776
|
899
|
76,9
|
270
|
23,1
|
1.169
|
1782
|
840
|
84,3
|
156
|
15,7
|
996
|
1797
|
1.315
|
87,5
|
187
|
12,5
|
1.502
|
1815
|
1.107
|
86,7
|
170
|
13,3
|
1.277
|
1816
|
1.128
|
86,8
|
171
|
13,2
|
1.299
|
1846
|
3.702
|
-
|
-
|
-
|
-
|
1854
|
4.295
|
92,2
|
365
|
7,8
|
4.660
|
1863
|
5.376
|
89,82
|
769
|
10,18
|
6.145
|
Fonte: COLNAGHI; MAGALHÃES; MAGALHÃES
FILHO, 1992
Criação: BOBROWEC, Antonio Francisco
Quer recordar a primeira
parte desse texto (Qual é a origem de São José dos Pinhais? [Parte 1]), que trata das
populações indígenas que viviam nas terras onde é hoje São José dos Pinhais,
bem como o início da presença de populações portuguesas com a busca de ouros às
margens do Rio Arraial, clique AQUI.
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.
* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.


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