[Reportagem:
Antonio Francisco Bobrowec]*
Até 1853, as terras que viriam a compor São José dos Pinhais eram todas
pertencentes à Vila (Município) de
Curitiba. Contudo, Curitiba sabia da importância de se ter um representante das
Freguesias de São José e Bom Jesus dos Perdões em seu Poder Legislativo. A
prova disso é que no dia 29 de março de 1693, data que marca a fundação da
Câmara Municipal de Curitiba e também a criação do Município, dois moradores
são-joseenses assinaram a ata da criação daquela Casa de Lei. Um era João
Veloso da Costa, nominado como ‘mineiro do Arraial Grande’ e o outro era João
Álvares Martins, neto de Mateus Leme, falecido em São José dos Pinhais em 1730
(MAROCHI, 2003, p. 38).**
A Câmara de Curitiba era encarregada de fiscalizar a Freguesia de São
José e determinar o cumprimento da padronização das propriedades do pequeno
espaço urbano. Assim, é importante mais uma vez salientar que esta
representação política era voltada aos interesses da Coroa Portuguesa e das
elites e não visava a população local propriamente dita.
Em 1721, o Governo Português envia para a “nova villa” (Curitiba) o
Ouvidor-Geral de São Paulo, Raphael Pires Pardinho. Este era encarregado de
organizar a justiça local, bem como as demais instituições administrativas e
religiosas. Além de dar assistência aos trabalhos a serem exercidos na Câmara
de Curitiba, Raphael Pardinho analisou as terras pertencentes aos chamados
“Campos de Curitiba”, que também compreendiam as terras da Freguesia de São
José dos Pinhais. Na época, além de Curitiba, existia a Vila de Paranaguá, que
até então não tinha bem definido os limites territoriais com Curitiba.
Aqui é importante situar o leitor que o Paraná era uma extensão da
Província de São Paulo e que só seriam oficialmente desmembrados em 1853 – data
também significativa para São José dos Pinhais, pois seria o ano da sua
Emancipação Política sobre Curitiba.
Em uma carta ao rei D. João V, datada a 30 de agosto de 1721, Raphael
Pardinho fala também das Freguesias de São José e de Bom Jesus dos Perdões,
que, conjuntamente com a Vila de Curitiba, possuíam nas contas do Ouvidor-Geral
200 casas e 1400 pessoas de confissão (moradores batizados na Igreja Católica).
Nesta época também foram escolhidos os primeiros representantes públicos
da freguesia de São José como juiz, escrivão e outros. Antonio Ribeiro Leme foi
o primeiro representante da freguesia são-joseense a exercer o papel de juiz e
Pantaleão Rodrigues da Silva o primeiro escrivão. Quem exercia estes cargos não
tinha vida fácil em virtude das más condições da estrada de acesso para a
Câmara curitibana. Mas este assunto falaremos na próxima edição.
Veja também a Primeira
Parte e a Segunda Parte da série de artigos que tratam Qual a origem de São José dos Pinhais?:
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.
* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.
** MAROCHI, Maria Angélica. Câmara Municipal de São José dos Pinhais:
150 anos: 1853-2003. São José dos Pinhais: Câmara Municipal de São José dos Pinhais , 2003

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