Imagem da primeira metade do século XX do casarão pertencente ao vereador eleito assassinado, Manoel Alves Pereira [Fotos: Museu Mun. SJP]
Artigo: Antonio
Francisco Bobrowec*
A
independência política de São José dos Pinhais perante Curitiba está inserida
num contexto interessante de disputa política entre dois partidos. De um lado
os liberais, também conhecidos como Luzias e, de outro, os conservadores,
intitulados Saquaremas. O resultado desta disputa partidária gerou trinta
vítimas no dia da eleição de deputados em 1852, incluindo a morte do primeiro
presidente da Câmara de São José dos Pinhais.
São José se emancipa de Curitiba
É válido ressaltar que as manifestações pela
independência política de São José não partiram da população, que na época não
tinha voz e direitos constituídos. São José vivia uma realidade muito comum a
das outras freguesias e vilas brasileiras: o bipartidarismo entre a ala liberal
e a conservadora. Contudo, esta disputa era elitista, não colocando em pauta os
interesses da maioria da população.
De forma geral, o clima na época da Emancipação
Política de São José dos Pinhais era delicado não só ali, mas em todo o Paraná.
Este ainda buscava a sua independência da Província (Estado) de São Paulo. Este
fato ficou ainda mais complicado depois que São Paulo deixou de atender ao
pedido dos paranaenses e concedeu a titulação de Província ao Amazonas, em
1850.
Na data de 16 de julho de 1852, o vice-presidente
da Província de São Paulo, Hypolito José de Souza, sancionou a Lei n.º 10 de
1852 que elevava à categoria de Vila (Município) a Freguesia de São José dos
Pinhais. Ficou determinado também a data de votação dos sete vereadores que
comporiam a Câmara Municipal, primeiro domingo de outubro daquele ano.
“Os candidatos mais votados e eleitos foram Manoel
Alves Pereira, José Lionel da Silva, José Joaquim Passos de Oliveira, Antonio
Joaquim Oliveira Portes, Manoel Mendes Leitão e Francisco de Paula Prestes
Branco. Cinco dias após a apresentação do nome dos eleitos, em uma sessão
ordinária, os vereadores da Câmara Municipal de Curitiba reconheceram
oficialmente como autênticas as atas da eleição são-joseese”, relata a
historiadora Maria Angélica Marochi em sua obra Câmara Municipal de São José
dos Pinhais – 150 anos: 1853-2003.
Em
São José, os Luzias eram os de maior número e, com isso, garantiram a maioria
das sete cadeiras da Câmara Municipal, inclusive o cargo de presidente da Casa
com o vereador mais votado, Manoel Alves Pereira. No entanto, os Saquaremas não
se deram por vencidos e planejaram um boicote armado no dia da eleição dos
novos deputados, a 7 de novembro de 1852. Uma data que seria inesquecível para
a história política local.
Presidente
da Câmara morre antes da posse
As eleições para deputados aconteceram em frente à igreja
Matriz de São José (hoje Catedral) após a missa do Divino Espírito Santo, como
era o costume da época. Quando Manoel Alves Pereira e mais alguns partidários
tentaram votar na mesa paroquial foram impedidos por alguns militares,
comandados pelo cadete Benjamim Pereira de Vasconcelos.
Alves Pereira achou o impedimento um absurdo e
começou a discutir com o subdelegado José Olinto Mendes de Sá. No momento em
que o vereador decidiu deixar o local foi surpreendido com quatro tiros nas
costas. Os partidários de Manoel revidaram e o resultado foi trinta caídos no
chão após grande tiroteio, dentre eles sete feridos e as mortes de Manoel Alves
Pereira e do cadete Benjamim.
O corpo do vereador eleito foi velado na casa da
família, na Praça Oito de Janeiro, em frente à igreja Matriz. “Aí, na sala onde
velaram o cadáver, foram as paredes, portas e janelas inteiramente cobertas de
crepe, e os funerais foram os de maior concorrência de que se tem notícia. Tal
foi o abalo e pesar da população” (MAROCHI, 2003, p. 52).
Somente no final daquele mês, no dia 30 de novembro
de 1852 é que em sessão ordinária da Câmara de Curitiba foi providenciada a
compra de um livro para o registro do juramento dos vereadores são-joseenses.
Foi escolhido também na ocasião o dia 8 de janeiro de 1853 como a data oficial
da instalação da nova Câmara Municipal, data que instituía São José dos Pinhais
como Município.
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais

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