Imagem do casamento dos imigrantes Pedro Woche e Josefa Kahell, na regiçao da Cotia, em São José dos Pinhais [Foto: arquivo família Woche]
Texto e
fotos: Antonio Francisco Bobrowec*
Até o segundo terço do século XIX, os
imigrantes e colonizadores europeus em terras são-joseenses eram na sua
totalidade de origem espanhola e, principalmente, portuguesa. Com a vinda de
imigrantes europeus a partir de 1878, especialmente de origem polonesa,
italiana, ucraniana e alemã, e no séc. XX de árabes, o ambiente cultural,
político e econômico mudaria radicalmente em São José dos Pinhais. E a mistura
étnica formaria um novo perfil de são-joseense.
A vinda de imigrantes para terras brasileiras
tinha como principal objetivo ocupar o território, ainda em grande parte
inexplorado pelos portugueses e seus descendentes. Antes, é preciso situar o
leitor que desde 1640, quando Portugal volta a ser independente perante a
Espanha depois de 60 anos, o Tratado de Tordesilhas há anos não vinha sendo
cumprido. Cada vez mais os portugueses foram conquistando território, antes
pertencente à Espanha. Em 1750, os dois países renegociavam os limites de
fronteira. O mesmo aconteceu em 1761, 1777 e, finalmente, em 1801, quando para
o Brasil-português faltaria apenas o Acre para constituir o território que o
país possui hoje. Mas, surge um problema: como garantir estas fronteiras?
Já na Europa, no século XVIII, a realidade
era o inverso. Com o auge da Revolução Industrial européia, milhares de pessoas
deixaram a área rural e passaram a viver na cidade. Os centros urbanos não
conseguiram absorver a grande leva de mão-de-obra e a maioria da população
acabou por viver na miséria, desempregada e sem perspectiva de vida. A situação
ficou preocupante para os governos europeus, que não sabiam o que fazer com
tanta gente nas cidades, criando todo tipo de problema social, como
insegurança, violência, doenças e rebeliões.
Casa de tronco feita por imigrantes poloneses na região da Colônia Murici [Foto: Antonio Bobrowec]
Como diz o ditado: “juntou-se a fome com a
vontade de comer”. Os governos europeus queriam se livrar de milhares de
miseráveis, ao mesmo tempo em que os governos da América necessitavam de
contingente populacional. Assim, milhares de europeus, na sua grande maioria
pobre e que possuía experiência no campo, vieram morar na América em busca de
melhores condições de vida.
O Brasil, para atrair imigrantes, divulgou
até mesmo na Europa as vantagens de vir morar no país. Essa promessa de um El Dourado brasileiro atraiu pessoas de
diversas localidades. No Paraná houve no ano de 1829 uma primeira tentativa com
russos e alemães, em Rio Negro (na época território da Lapa), mas foi um
verdadeiro fracasso. Novas tentativas foram feitas na década de 1870, mas desta
vez várias delas prosperaram.
A agricultura, grande marca dos imigrantes e seus descentes em terras são-joseenses [Foto: Antonio Bobrowec]
Em São José dos Pinhais, a primeira colônia a
funcionar foi a de Murici, em 1878. Depois dela, várias outras surgiram:
Inspetor Carvalho (Gamelas), Zacarias e Accioli. Vale aqui lembrar que a
primeira colônia são-joseense mesmo foi a de Thomás Coelho, mas sua localidade
hoje pertence ao Município de Araucária, que antes pertencia a São José.
No começo eles tinham como responsabilidade
cultivar a terra, plantar e fornecer alimentos para a Província do Paraná, ou
seja, os imigrantes tinham como tarefa abastecer aos descendentes de
portugueses que já estavam no município há 200 anos. Sem contar, é claro, a
vantagem que foi para os colonizadores de ter um grupo civilizado (na visão
européia) morando nessas terras, que trabalhassem e tivessem a mesma formação
cultural que eles. Mas, nem tudo foram flores.
Para os imigrantes, que aqui vieram pela
propaganda do El Dourado, logo tudo
se tornou uma dura realidade. Os subsídios de moradia e agrícola, que deveriam
ser fornecidos pelo Governo, ficaram somente na promessa. Para vencer esta dura
realidade, os colonos tiveram que improvisar na construção de suas próprias
casas, cortar toras e mais toras de pinheiros centenários e ter muita, mas
muita paciência mesmo, pois com a demora ou a nunca vinda de recursos por parte
do Governo tiveram que se virar. Isso sem falar nos confrontos que os colonos
tiveram que enfrentar com os nativos que circulavam nas proximidades da
colônia.
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* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais
* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais

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